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Quanto vale um livro? O acordo Anthropic responde: cerca de 2.931 dólares

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Sigrid Nørgaard
· 3 min de leitura
Quanto vale um livro? O acordo Anthropic responde: cerca de 2.931 dólares

Há uma qualidade particular na expressão "por obra". Tem o som limpo e administrativo de um departamento de recursos humanos a gerir uma redundância. O acordo de direitos de autor com a Anthropic — anunciado em setembro de 2025, aguardando a sua audiência final de equidade a 14 de maio — calcula o valor da obra de um escritor em aproximadamente 2.931 dólares por livro. Cento e sessenta e cinco mil cópias de Fome, vendidas ao longo da vida de Knut Hamsun. Um poema de Tomas Tranströmer, traduzido para sessenta línguas. Aproximadamente 2.931 dólares.

O processo chama-se Bartz v. Anthropic e é o maior acordo por violação de direitos de autor na história dos Estados Unidos: 1,5 mil milhões de dólares, a pagar em prestações pela Anthropic, empresa que treinou os seus modelos em parte com livros descarregados do LibGen e do Pirate Library Mirror — bases de dados piratas cujos nomes soam quase alegres. Após custos administrativos de cerca de 208 milhões, o fundo líquido do acordo chega a aproximadamente 1,29 mil milhões. Cerca de 440.000 obras foram reclamadas, representando mais de noventa por cento dos títulos elegíveis.

Um escritor publicou um romance, registou-o, e descobre agora que uma empresa tecnológica o utilizou, sem permissão, para ensinar uma máquina a escrever. O acordo chega com os seus 2.931 dólares e pede ao escritor que aceite que isto está resolvido. Alguns aceitarão. Outros poderão simplesmente recusar-se a participar num sistema cujos termos não escolheram.

Tove Jansson escreveu os seus livros dos Moomins em sueco para um público finlandês-sueco na orla do Círculo Ártico. Não poderia ter antecipado esta complicação particular. Mas compreendia algo sobre a relação entre fazer uma coisa e possuí-la: a obra não é o dinheiro que gera, e o dinheiro não se torna a obra por associação. Se 2.931 dólares é uma compensação justa — essa é a pergunta que a audiência de 14 de maio não responderá completamente.