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Ben Lerner escreve sobre escrever (e desta vez chama-se Transcription)

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Dani Carrasco
· 3 min de leitura
Ben Lerner escreve sobre escrever (e desta vez chama-se Transcription)

Pergunta honesta: quantos romances sobre escrever um romance precisamos realmente? A resposta, como com quase tudo na literatura, depende de quem está a escrever. Se for Ben Lerner, a resposta parece ser pelo menos mais um.

Transcription (FSG), publicado esta semana, é o terceiro romance de Lerner — a seguir a Leaving the Atocha Station e The Topeka School. Metaficção de precisão cirúrgica, um narrador que examina a linguagem enquanto a usa, a questão de saber se a arte pode capturar a experiência ou apenas deixa traços do que se perdeu.

É o que Borges fez em O Aleph — conter o universo inteiro numa esfera do tamanho de uma bola de ping-pong e de alguma forma conseguir que acredites. O problema nunca é a premissa; o problema é o que fazes com ela.

O que Lerner faz com a memória em Transcription, segundo os primeiros leitores, é desmontá-la camada por camada. Não a memória heroica das grandes narrativas de trauma, mas a memória quotidiana e traiçoeira. A linguagem como sistema de arquivo que chega sempre tarde aos factos.

Se já leste os seus romances anteriores, sabes o que te espera. Se não, começa por Leaving the Atocha Station, que tem o mesmo ADN e está ambientado em Madrid. Depois volta para Transcription.

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