Quando a indústria do livro corta quem faz os livros
Em fevereiro, a Bloomsbury anunciava lucros recordes. Esta semana, 55 de seus funcionários foram informados de que seus cargos não existem mais.
A editora — conhecida por Harry Potter, títulos acadêmicos de referência e uma reconversão bem-sucedida para livros de gastronomia — concluiu uma reestruturação global que consolidou operações no Reino Unido, nos EUA e em suas divisões internacionais. A empresa descreveu a medida como um realinhamento necessário após um período de expansão significativa. No mundo editorial, expansão seguida de reestruturação é o que os economistas chamam de ciclo e os editores chamam de ano ruim.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, cerca de vinte funcionários da Catapult Book Group protocolaram pedido de representação sindical junto ao UAW Local 2110 em 13 de abril, citando “estabilidade no emprego, salários e necessidade de maior transparência”. A Catapult construiu sua identidade como uma editora diferente. Seus funcionários agora perguntam se essa identidade se estende à forma como trata quem trabalha nela.
O que mudou não são as reestruturações em si — isso acontece há vinte anos —, mas a disposição dos trabalhadores de nomear o problema publicamente e se organizar. Os funcionários da HarperCollins negociaram um novo acordo no ano passado. Na Catapult, o processo está apenas começando. Parece uma posição razoável: quem constrói a cultura literária não está mais disposto a absorver em silêncio os custos das ineficiências do setor.