Os Bram Stoker Awards 2026 deram razão a Ryan Coogler (e ao terror como forma de amar)
Quando foi a última vez que um filme de terror ganhou algo importante fora das suas próprias cerimônias? Exato. O género está confinado aos seus próprios altares, aos seus próprios profetas, aos seus próprios prémios. Os Bram Stoker Awards existem precisamente para isso: para que o terror se julgue a si próprio sem pedir licença a ninguém.
A Horror Writers Association anunciou os vencedores de 2026 a 8 de junho, e há um nome na lista que merece mais espaço do que a imprensa generalista lhe vai dar: Ryan Coogler ganhou Melhor Guião por Sinners. O mesmo filme que chegou em 2025 como uma história de vampiros no Delta do Mississippi durante a era do blues, e acabou por ser algo mais complexo: uma meditação sobre o sangue como cultura, sobre a música como forma de resistência, sobre o que o passado faz ao corpo de uma comunidade.
Melhor Novela foi para Stephen Graham Jones com The Buffalo Hunter Hunter. Jones já ganhou o Locus nesta categoria esta semana, e o Stoker confirma o que os seus leitores já sabiam: o seu trabalho com personagens indígenas americanos no terror contemporâneo não tem precedente na literatura mainstream.
A lista completa tem mais descobertas. Linda D. Addison e Jamal Hodge ganharam Melhor Poesia com Everything Endless. Sabia que a poesia pode dar medo? A Horror Writers Association sabe disso há décadas.
E falando de genealogias do terror: antes de Drácula houve O Vampiro de John William Polidori (1819), que inventou o vampiro aristocrático de quem todo o resto descende. E antes de Polidori havia sombras. E antes dessas sombras havia Carmilla, de Joseph Sheridan Le Fanu, que chegou vinte e cinco anos antes do Conde Drácula e já era muito mais perturbadora do que ele.
Ryan Coogler, bem-vinde ao clube. O clube tem capa, tem presas, e agora tem também o Delta do Mississippi.