Sobre os estudantes que não deixaram as suas bibliotecas ser esvaziadas
Na pequena cidade de Elizabethtown, Pensilvânia, um grupo de estudantes do ensino secundário fez recentemente algo silenciosamente notável: recusaram-se a deixar que a sua biblioteca escolar fosse esvaziada em silêncio. O distrito tinha estado a retirar livros e a cortar financiamento às bibliotecas — parte de um movimento mais amplo nos Estados Unidos em que os conselhos escolares, cedendo à pressão de grupos de pais organizados, têm vindo a retirar títulos considerados inapropriados. Um estudante, fotografado num protesto, carregava um cartaz que dizia: «Não posso deixar que estas doutrinas sejam o rosto da minha educação.» É difícil ler essa frase sem sentir que algo muito antigo desperta.
Penso em algo que Tove Jansson escreveu num dos últimos e mais estranhos livros dos Moomins — não os ilustrados e encantadores que as pessoas oferecem às crianças, mas os posteriores, onde as personagens estão às vezes sozinhas na escuridão genuína. Escreveu, quase acidentalmente, sobre o que significa ficar sem as histórias que nos pertencem. A remoção é sempre apresentada como protetora. Nunca o é.
O movimento americano de proibição de livros não é novo, mas acelerou dramaticamente. Milhares de casos de remoção de livros foram registados em escolas americanas nos últimos anos. Os livros mais atacados — os que tratam de raça, sexualidade, género, trauma — são precisamente os que historicamente foram mais necessários para os leitores que precisavam de se ver refletidos numa frase.
O que estes estudantes compreendem é isto: retirar um livro de uma biblioteca escolar nunca é meramente administrativo. É uma declaração sobre que experiências são consideradas reais, que vozes são consideradas seguras, que histórias são consideradas dignas de preservar. A biblioteca é terreno comum. Quando Knausgård escreve sobre os livros que lia em criança, escondido no quarto para fugir a um pai difícil, não está a escrever sobre escapismo. Está a escrever sobre o que os livros realmente fazem: criam um espaço dentro da linguagem onde uma pessoa pode existir sem pedir permissão.
Espero que o protesto dos estudantes de Elizabethtown se torne um hábito.
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