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Gonzalo Celorio recebe o Prêmio Cervantes: o México chega a Alcalá de Henares

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Valentina Ríos
· 3 min de leitura
Gonzalo Celorio recebe o Prêmio Cervantes: o México chega a Alcalá de Henares

Lembro da primeira vez que li Gonzalo Celorio. Alguém havia me emprestado seus ensaios numa tarde chuvosa em Bogotá, como quem passa algo de contrabando. Havia na sua prosa uma forma de transitar entre a Cidade do México e a literatura latino-americana que me pareceu completamente nova: não como crítico que observa de fora, mas como alguém que habita os livros da mesma maneira que habita as ruas.

Esta semana, Gonzalo Celorio viajou a Madri para receber o Prêmio Cervantes 2025, a maior distinção literária do mundo hispanófono. A cerimônia acontece no Paraninfo da Universidade de Alcalá de Henares, na cidade natal de Miguel de Cervantes, diante dos reis da Espanha.

Celorio (Cidade do México, 1948) é romancista, ensaísta e acadêmico — durante anos dirigiu a editora da UNAM. O que define sua escrita é uma maneira singular de entender a memória como matéria-prima de toda ficção. Tres lindas cubanas acompanha uma família mexicana por Havana ao longo de três gerações. Ese montón de espejos rotos constrói uma autobiografia que é também a autobiografia da Cidade do México. Mentideros de la memoria reúne seus encontros com os grandes da literatura latino-americana. E El metal y la escoria reconstrói a história de uma família que encarna a história recente do México.

O Cervantes chega a um escritor que entende a literatura como memória coletiva — não como produto exportável, mas como forma de saber quem somos antes que tudo mude. Leiam Celorio.