Homens Apaixonados: Irvine Welsh Volta ao Seu Território Favorito
Ernesto Calabuig, no El Cultural, descreve Hombres enamorados, o novo romance de Irvine Welsh, como «a ressaca do Trainspotting entre drogas, sexo e diferenças de classe». O que é, com algum adjetivo a mais ou a menos, o que se disse de cada romance de Welsh desde 1993. O homem tem uma fórmula, sabe que funciona e não dá sinais de abandoná-la.
Isso não é necessariamente uma crítica.
Há uma estranha tranquilidade em abrir um novo romance de Welsh. Você sabe o que vai encontrar: as cadências de Edimburgo transcritas em fonética aproximada, homens da classe trabalhadora navegando pelo desejo e pela autodestruição com diferentes graus de autoconsciência, o sistema de classes tratado como uma ferida aberta, não como cenário. Hombres enamorados — o título em espanhol sugere que o original inglês pode ser simplesmente Men in Love — aparentemente entrega em todas as frentes.
O território de Welsh sempre foi a lacuna entre quem seus personagens querem ser e o que o mundo lhes permitirá se tornar. É uma lacuna mais estreita na era do streaming e da cultura de autoajuda, mas Welsh continua sondando-a como se nada tivesse mudado desde que Sick Boy e Mark Renton perambulavam por Leith. Seus detratores chamam isso de repetição. Seus admiradores chamam de consistência. Os dois têm razão, o que é exatamente o problema de qualquer escritor que encontra um registro verdadeiro e nele permanece.
Welsh escreveu o prefácio da edição do 25.º aniversário de Cozinheiro Confesso de Anthony Bourdain — dois escritores que entenderam, em seus diferentes idiomas, que as pessoas que preparam sua comida e as que produzem sua cultura raramente são as mesmas, e que isso não é acidente.
Hombres enamorados foi recebido com a ambivalência cuidadosa que acolhe o Welsh tardio: respeito suficiente por sua trajetória para garantir a generosidade, cansaço suficiente com a fórmula para perguntar se algo novo pode surgir. Não vai surgir. Mas a fórmula ainda tem pulso, o que já é mais do que se pode dizer da maioria de seus contemporâneos.
Ele escreve o mesmo romance desde 1993. Um dia vai parar, e então vamos sentir falta.