Rocky Balboa vai produzir uma série de assassino em série. Vamos conversar.
Rocky Balboa vai produzir uma série sobre um assassino em série. Deixe isso assentar por um momento.
Sylvester Stallone — através de sua produtora Balboa Productions — assinou como produtor executivo da adaptação televisiva da série de thriller 4MK de J.D. Barker, uma trilogia ambientada em Chicago que começou com The Fourth Monkey (2017). A showrunner é Channing Powell, formada em The Walking Dead e White Collar, que será quem terá que determinar se tudo isso realmente funciona na tela.
Os livros da 4MK giram em torno de Sam Porter, um detetive rastreando um assassino em série que se comunica através de pacotes de três partes contendo orelhas, olhos e línguas — um detalhe que funciona, suponho, como atmosfera. Uma precuela da trilogia original chega em setembro, o que provavelmente não é coincidência. Stallone descreveu a série como um mundo com «escala enorme, perigo real» e «o tipo de mitologia feita sob medida para a televisão premium». Um crítico do Kirkus, menos persuadido pela mitologia, descreveu o primeiro livro como: «Tire todo o sangue e você fica com um conto de assassino em série tedioso e previsível».
O que merece atenção nessa colaboração não é o sangue. É a lógica do momento televisual atual: a premissa de que mitologia equivale a escala, escala equivale a prestígio, e prestígio equivale a algo que vale a pena vincular a um nome reconhecível. O anúncio da 4MK chega numa semana ao lado de vários outros anúncios de adaptações, todos falando a mesma gramática — propriedade intelectual existente, audiência incorporada, embalagem de prestígio.
O que Barker provavelmente sabe, tendo escrito quatro livros nesse universo, é que a mitologia sempre foi tão boa quanto o que acontecia dentro dela. O mesmo vale para a televisão. O nome de Stallone nos créditos não vai responder à pergunta que mais importa: se Sam Porter, libertado da página, tem algo a dizer.