Jujutsu Kaisen termina e as listas de bestsellers não fingem mais surpresa
A última vez que um americano assistiu à conclusão de uma série de manga japonesa foi provavelmente com Naruto, e a resposta apropriada foi uma espécie de luto emocional de baixa intensidade que durou aproximadamente um semestre acadêmico. O volume 30 de Jujutsu Kaisen, lançado esta semana nos Estados Unidos — cinco meses após o capítulo final no Japão — vendeu cópias suficientes para chegar ao primeiro lugar nas listas de bestsellers nacionais. A série completa já movimentou 6,6 milhões de cópias impressas na América do Norte.
Esse número merece um momento de reflexão.
A história de Gege Akutami sobre energia amaldiçoada e combate sobrenatural tem sido, por vários anos, o tipo de evento cultural que jornalistas literários fingem não notar. Não é o tipo de ficção que se discute em eventos da London Review of Books. E no entanto: 6,6 milhões. Ao lado na mesma lista, A Parade of Horribles de Matt Dinniman, o oitavo volume da série Dungeon Crawler Carl, ocupa o primeiro lugar em ficção encadernada.
O que a lista de bestsellers de 25 de maio de 2026 revela, para quem está prestando atenção, é que a ficção de gênero — manga, LitRPG, serializações de fantasia — tornou-se silenciosamente o establishment. A ficção literária canônica está lá, claro, fazendo sua coisa digna. Mas os leitores — os que realmente gastam dinheiro, ficam acordados até tarde — deixaram suas preferências bastante claras.
Jujutsu Kaisen é, à sua maneira, uma obra séria de imaginação. Akutami passou anos construindo uma mitologia consistente sobre espíritos amaldiçoados e os exorcistas que os combatem, para então desmantelar sistematicamente cada expectativa que a série havia estabelecido. O final chegou não com triunfo, mas com a tristeza exausta de um mundo que sobreviveu a algo. Isso não é pouca coisa.
Em algum lugar, num periódico literário com circulação de quatorze mil exemplares, um crítico está escrevendo um artigo sobre a morte do romance. Os romances — e o manga, e os volumes de LitRPG, e tudo mais — parecem estar sobrevivendo muito bem.