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Marta Platel vence o Prémio Fernando Lara com romance sobre a traição como herança

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Valentina Ríos
· 3 min de leitura
Marta Platel vence o Prémio Fernando Lara com romance sobre a traição como herança

Há livros que se leem e nos dão a sensação de que alguém nos está a contar um segredo guardado há anos. Não um segredo melodramático, mas aquele que se herda pelo sangue — sem nome próprio, instalado nos ossos de uma família como humidade nas paredes antigas. É assim que Marta Platel escreve. E é assim que ganha prémios.

Esta semana, na XXXI edição do Prémio Fernando Lara — 120 000 euros, gala no Real Alcázar de Sevilha, uma instituição que há trinta e um anos aposta na ficção popular com espinha literária —, a barcelonesa Marta Platel foi a grande vencedora com um romance que transforma a traição em herança. O júri destacou a «intensidade emocional sustentada» e a «perfeição técnica». A sua editora disse melhor: uma história de mulheres que carregam os piores segredos dos homens que amaram, pagando-os por inteiro.

Quem conhece Marta Platel, esta notícia não surpreende. Quem a está a descobrir agora, fica a saber: com El último vuelo de la abeja reina já demonstrou que sabe construir mundos onde os segredos têm temperatura própria, onde as heranças envenenam mais do que enriquecem, onde uma mansão escocesa pode guardar uma traição que esperou décadas para vir à luz. Era uma promessa. O Fernando Lara é o seu cumprimento.

O prémio, fundado em 1995 pela Fundação José Manuel Lara, defende há décadas a ideia de que ficção popular e ambição literária não são categorias opostas. Antes de Platel, venceram Manel Loureiro e Sergio Vila-Sanjuán, entre outros autores que provaram que o grande público pode ser exigente e que os bons escritores podem responder a esse desafio. Platel entra agora nessa história — não porque o nível baixou, mas porque o escalou degrau a degrau, com habilidade e sem alarde.

García Márquez dizia que todos os seus livros nasciam de uma imagem. Clarice Lispector dizia que escrever era buscar compreender o que já sabia. Platel, sem o dizer, parece escrever para encontrar o que ainda não nos contou. E isso, no fim, é o que converte um prémio numa promessa que vale a pena esperar.

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