Yaa Gyasi Passará o Próximo Ano na Biblioteca Pública de Nova York. O Que Isso Significa?
Existe na Biblioteca Pública de Nova York uma sala de leitura no primeiro andar do edifício Schwarzman, na Quinta Avenida, onde as mesas são longas e a luz cai num ângulo que parece projetado para desacelerar o pensamento.
A biblioteca anunciou esta semana sua nova turma de bolsistas do Centro Dorothy e Lewis B. Cullman para 2026-2027. Quinze escritores, selecionados entre mais de oitocentos candidatos, passarão o ano acadêmico naquele edifício, cada um com um escritório privado, acesso às coleções de pesquisa e um estipêndio de 90.000 dólares.
Entre eles: Yaa Gyasi, cujo romance Homegoing — uma saga multigeracional que acompanha os descendentes de duas irmãs na Gana do século XVIII — permanece como um dos debuts mais estruturalmente audaciosos deste século. Seu trabalho seguinte, Transcendent Kingdom, foi mais íntimo e igualmente necessário.
A turma também inclui os romancistas Megha Majumdar e Alexander Sammartino, escritores de não ficção, a dramaturga Lauren Yee e o poeta Nick Flynn. Bolsistas Cullman anteriores incluem Colson Whitehead, Katie Kitamura e Raven Leilani.
O que me interessa nas bolsas institucionais não é o dinheiro, embora ele importe enormemente. É a validação da ideia de que escrever é um trabalho que requer condições, não apenas inspiração.
Talvez a pergunta não seja se Yaa Gyasi escreverá algo extraordinário naquela sala de leitura. Com quase certeza o fará. A pergunta é: quantos outros escritores não conseguiram entrar naquele edifício?