O enquadramento antes da frase: sobre Ocean Vuong e a outra língua que ele fala
Quando tinha doze anos, minha avó me mostrou uma caixa de fotografias que guardara de seus anos em Bergen. Não eram fotografias expostas — eram fotografias escondidas. Imagens em preto e branco de pessoas que eu não reconhecia, em celebrações que não conseguia nomear. Ela escrevera pequenas legendas no verso de cada uma, com uma caligrafia que só posso descrever como cuidadosa. Não bela. Cuidadosa.
Penso nessa caixa ao ler sobre a recente exposição fotográfica de Ocean Vuong, coberta esta semana pela Literary Hub. O artigo propõe uma pergunta raramente feita a romancistas: e se a escrita fosse o secundário?
Vuong — cujo romance de estreia Na Terra Somos Fugazmente Grandiosos chegou como um dos livros mais perturbadores da última década, e cuja coleção de poesia O Tempo é a Mãe consolidou seu lugar entre os essenciais — manteve uma relação com a câmera ao longo de toda sua vida como escritor. Não é um hobby: é uma prática tão séria quanto sua construção de frases.
O estilo de Vuong é intensamente visual. Suas frases não apenas descrevem: enquadram. Um detalhe chega, é sustentado, depois se retira — como uma fotografia que permite olhar algo por mais tempo do que o normal. Céu Noturno com Feridas de Fogo, sua primeira coleção de poemas, funciona assim: cada poema é uma exposição controlada.
A história familiar de Vuong é, em essência, uma história de tradução — de língua em língua, de país em país, de guerra ao seu longo rastro pós-mortem em corpos em tempo de paz. Para muitas famílias imigrantes, a fotografia é o registro que os documentos oficiais se recusam a ser.
A pergunta implícita no artigo — fotógrafo primeiro, escritor depois? — pode ter uma resposta que também é uma recusa: os dois, sempre os dois.