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Paula Klein ganha o Prémio Lumen de Romance com El amor inventado

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Dani Carrasco
· 3 min de leitura
Paula Klein ganha o Prémio Lumen de Romance com El amor inventado
Há prémios que chegam como revelação e prémios que confirmam o que já se pressentia. O Prémio Lumen de Romance 2026 que recebe a escritora argentina Paula Klein por El amor inventado parece mais o segundo — não porque Klein fosse uma aposta segura, mas porque quem leu Las brujas de Monte Verità, o seu romance anterior, já sabe que estamos perante uma escritora capaz de construir mundos que doem de uma forma muito específica. O que é exatamente o amor inventado? Ainda não sei — o livro não chega até ao outono — mas o título já é uma declaração de intenções. Porque todos os amores são, em alguma medida, inventados. Inventamo-los à medida que avançamos, narramo-los para trás, editamo-los em tempo real. Klein, que há anos trabalha o terreno escorregadio entre o desejo e a sua representação, parece a escritora ideal para explorar essa fenda. Paula Klein nasceu em Buenos Aires. Isso importa — não como dado biográfico mas como contexto literário: a Argentina produziu algumas das ficções mais estranhas e mais exigentes dos séculos XX e XXI, de Cortázar a Pizarnik, de Puig a uma tradição de escrita desestabilizadora e resistente ao género que Klein habita sem reverência. O Prémio Lumen existe desde 2006 em Espanha. Não é o Nobel, claro. Mas no circuito literário hispanófono tem uma gravidade particular: já passou pelas mãos de escritores que nem sempre chegam às listas dos mais vendidos, mas que acabam, com o tempo, nas prateleiras das pessoas que leem a sério. O que me pergunto — e pergunto também a ti — é o que significa «inventar» o amor em 2026. Num momento em que as apps de encontros usam algoritmos para simular a ligação humana, em que os chatbots sustentam conversas que parecem mais íntimas do que muitas trocas reais, Klein chega para investigar o território através da ficção. Que é, afinal, o lugar mais honesto para o fazer. Não quero dizer demasiado antes de ter lido. Mas quero dizer isto: os livros que perguntam como amamos — não só de quem nos apaixonamos, mas o próprio mecanismo, a arquitetura do sentimento — são os que acabam por ser mais urgentes. E se Las brujas de Monte Verità é o tipo de escrita de que Paula Klein é capaz, El amor inventado já tem toda a minha atenção.
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