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401 escritores atrás das grades: o mundo que a PEN America conta há anos

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Sigrid Nørgaard
· 3 min de leitura
401 escritores atrás das grades: o mundo que a PEN America conta há anos

Tenho um pequeno caderno na minha mesa — carrego este hábito há anos — no qual anoto de vez em quando os nomes de escritores que tenho pendentes para ler. A lista cresce mais rápido do que a reduzo, o que talvez seja como deve ser. O que tento não pensar com frequência é que em algum lugar existe outra lista, mais longa e mais urgente: os nomes de escritores que não podem escrever porque estão na prisão.

A PEN America publicou na semana passada seu sétimo Índice anual de Liberdade para Escrever. O número de 2025 é 401 — escritores presos em 44 países, contra 375 no ano anterior. Um aumento de sete por cento. A China lidera com 119 casos. O Irã vem a seguir com 53.

O relatório documenta algo que qualquer pessoa que presta atenção à literatura e à geopolítica já sabia: que escrever é um ato político, e que os governos o tratam como tal. As nações responsáveis pelos maiores aumentos este ano — Irã, Israel, Rússia — são também as mais ativamente envolvidas em conflitos militares. A expressão antibelicista, o discurso dissidente, a documentação da violência: essas são as categorias de escrita que levam as pessoas à prisão.

O que distingue o relatório deste ano dos seis anteriores é uma única frase: os Estados Unidos aparecem no índice pela primeira vez. O caso envolve Sami Hamdi, comentarista político britânico detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândega. Haverá quem aponte a distinção — detenção de imigração, não perseguição literária — e siga em frente. Creio que seria um erro.

O índice da PEN America é, entre outras coisas, um lembrete de que a liberdade de ler — a liberdade confortável de quem escreve sobre livros por prazer — repousa sobre algo que nunca é tão estável quanto parece. Toda biblioteca pressupõe escritores que foram livres para preenchê-la. Nem todos são. Comece com 1984 de Orwell, ou com a história de Jacob Mchangama em Liberdade de Expressão.

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