Cinco vidas que valem a pena ler: a lista curta do Prêmio Plutarco 2026
A biografia sempre me pareceu a forma literária mais presunçosa. O que ela afirma — que uma vida humana pode ser suficientemente conhecida para ser escrita, que um sujeito pode ser traduzido para a linguagem sem distorção essencial — é uma aposta que até os melhores praticantes têm dificuldade em cumprir. E ainda assim, os cinco livros na lista curta do Prêmio Plutarco 2026, administrado pela Biographers International Organization, sugerem que a forma continua encontrando novas maneiras de ser necessária.
Baldwin: A Love Story de Nicholas Boggs chega já condecorado: ganhou o John Leonard Prize do National Book Critics Circle e o PEN/Jacqueline Bograd Weld Award for Biography. James Baldwin — romancista, ensaísta, profeta da consciência racial americana — é um sujeito ao qual se retornou recentemente com certa urgência, em parte porque as urgências que ele nomeou se recusaram a diminuir. Pensa-se em Se Beale Street Pudesse Falar ao mesmo tempo que em qualquer relato sério de sua vida.
Gertrude Stein: An Afterlife de Francesca Wade aborda uma escritora cuja vida sempre ameaçou eclipsar sua obra. A Autobiografia de Alice B. Toklas era em si mesma uma biografia-como-performance: Stein escrevendo na voz de sua parceira para escrever sobre si mesma. A decisão de Wade de chamar seu livro de uma «vida póstuma» já é um pequeno ato de inteligência.
The Invention of Charlotte Brontë de Graham Watson chega a um sujeito já muito biografado. Jane Eyre sobrevive a cada nova avaliação de sua autora; a questão é o que uma nova vida pode acrescentar ao que o próprio romance já contém. The Second Emancipation de Howard French, sobre Kwame Nkrumah e o pan-africanismo, e Wakara's America de Max Perry Mueller, sobre um líder nativo americano do século XIX, completam uma lista que argumenta, pela sua amplitude, a favor das ambições contínuas da biografia. O vencedor será anunciado em 28-29 de maio na BIO Conference.