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Prémios Locus 2026: Okorafor, Harrow e El-Mohtar fazem história

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Dani Carrasco
· 3 min de leitura
Prémios Locus 2026: Okorafor, Harrow e El-Mohtar fazem história

Pergunta rápida: quando foi a última vez que os Prémios Locus te obrigaram a fazer uma lista de compras? Porque a edição 2026, anunciada no Bay Area Book Festival, é exatamente esse tipo de anúncio.

Nnedi Okorafor ganha a categoria de Romance de Ficção Científica por Death of the Author, um livro que já havia ganho um NAACP Image Award e um Libby Award. Não é surpresa — é confirmação. Okorafor tem passado anos a construir mundos onde a ficção científica africana não é uma curiosidade exótica mas o centro gravitacional da narrativa especulativa. Para contexto crítico sobre a sua obra, Dispelling Fantasies de Joy Sanchez-Taylor analisa como escritoras como Okorafor, Jemisin e Kuang estão a reconfigurar o género.

Alix E. Harrow ganha Romance de Fantasia por The Everlasting. Amal El-Mohtar — que tem um desses nomes que parecem títulos de livro — ganha a Novela com The River Has Roots. El-Mohtar é também metade do duo por trás de This Is How You Lose the Time War.

Em Horror, Stephen Graham Jones ganha por The Buffalo Hunter Hunter. Primeiro Romance vai para Natalia Theodoridou por Sour Cherry. E a categoria de Romance Traduzido vai para On the Calculation of Volume: Book III de Solvej Balle, traduzida por Sophia Hersi Smith e Jennifer Russell. Balle está a escrever uma série sobre o tempo que se repete — o mesmo dia, uma e outra vez — algo próximo de Borges mas com o seu próprio esplendor estranho.

O que torna os Prémios Locus especiais não é o dinheiro nem a cerimónia. É o voto: os fãs da ficção científica e fantasia votam diretamente. Um dos poucos prémios literários onde o cânone não é decidido por académicos numa sala — é decidido pelas pessoas que realmente leem estes livros.

2026 está a ser, francamente, um ano brutal para a ficção especulativa. E ainda só estamos em junho.

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