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No ponto de rutura: o que cinco anos de censura fizeram à literatura queer

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Sigrid Nørgaard
· 3 min de leitura
No ponto de rutura: o que cinco anos de censura fizeram à literatura queer

Lembro-me de quando cheguei a Madrid de Copenhaga, há quase doze anos, e passei semanas numa livraria particular na calle de las Huertas, onde a secção de literatura tinha uma pequena prateleira sem etiqueta de ficção queer encaixada entre os livros de viagens e a poesia. Não estava escondida, exatamente. Mas estava arrumada com uma discrição quase apologética.

Essa prateleira desapareceu. No seu lugar — e em muitas das melhores livrarias — há secções inteiras. Proeminentes, bem iluminadas. Um artigo recente de Danika Ellis na Book Riot sugere o contrário do que eu pensava. O título: «Queer Books and Authors are at a Breaking Point».

Ellis documenta cinco anos de censura escalada dirigida contra o conteúdo LGBTQ — não como uma série de incidentes isolados mas como uma campanha coordenada e acumulativa que atingiu todos os níveis do ecossistema editorial. Autores. Agentes. Editoras. Livrarias. A pressão não chega como uma única crise; chega como desgaste.

Os países nórdicos viveram esta tensão de forma diferente. Cresci a ler Tove Jansson — cuja relação íntima com a artista Tuulikki Pietilä nunca foi um segredo mas também nunca se tornou objeto de controvérsia pública — e interiorizei uma ideia de existência queer como algo sem drama.

O que torna o argumento de Ellis valioso é a palavra que escolhe: breaking. Não quebrado. Não ameaçado. Breaking — presente contínuo, ainda em movimento. Conversion Therapy Dropout de Timothy Schraeder Rodriguez é o tipo de livro que esta pressão está desenhada para tornar invisível. Play Proud de Rob Sanders, um livro infantil que celebra sessenta atletas queer, representa outra categoria.

Ambos representam o que um ponto de rutura significa na prática: não a ausência de livros, mas o esgotamento das pessoas que os escrevem, publicam, vendem e defendem. Os livros ainda estão aqui. A questão que fica é por quanto tempo mais as pessoas à volta deles conseguem aguentar o peso.

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