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O que os rios de Robert Macfarlane sabem e nós esquecemos

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Sigrid Nørgaard
· 3 min de leitura
O que os rios de Robert Macfarlane sabem e nós esquecemos

Lembro de ter ficado uma vez à beira do Ebro, observando-o atravessar Zaragoza de madrugada, e pensando que o rio parecia mais permanente do que a cidade ao redor. Os prédios iríam embora, como sempre acontece. O rio simplesmente continuaria.

Estão vivos os rios? de Robert Macfarlane — chegando em brochura neste junho junto a novas obras de André Aciman, Melissa Febos e Catherine Lacey — parte de uma intuição relacionada: que os rios não são objetos a serem gerenciados, mas sujeitos em algum sentido que ainda não aprendemos a articular. O livro, que passou semanas na lista de mais vendidos do ‘Sunday Times’ em capa dura, segue Macfarlane até rios que receberam personalidade jurídica — no Equador, na Índia e em outros países — perguntando o que significa para um sistema legal reconhecer uma massa d’água como algo capaz de ter direitos.

Este é território característico de Macfarlane. Os Velhos Caminhos, Underland, Landmarks — sua obra sempre transitou entre o pessoal e o geológico, entre a prosa lírica e a ciência natural. A pergunta deste novo livro é mais antiga do que a filosofia: o que está vivo? Mas Macfarlane a aborda nem como cientista nem como místico. Ele a aborda como um escritor que caminha.

Tove Jansson, que passou décadas em uma ilha da costa finlandesa, escreveu certa vez sobre como o mar sempre esteve antes de você e estará depois, e como isso o tornava ao mesmo tempo reconfortante e aniquilador. Os rios de Macfarlane carregam algo do mesmo peso. São mais antigos do que qualquer ocupação humana. Seu conhecimento, se lhes concedermos essa palavra, é geológico.

O que me impressiona na chegada em brochura deste livro é como coincide precisamente com um momento em que o direito ambiental — rios com personalidade jurídica, florestas com direitos — está saindo das margens para o debate jurídico dominante. O livro não é um argumento. É uma meditação. A distinção importa.

Se os rios podem estar vivos, um livro pode? A pergunta parece frivóla. Talvez não seja.

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