As palavras de Steve Albini: por que sua coleção póstuma importa além da música
Quando Steve Albini morreu de ataque cardíaco em maio de 2024, aos sessenta e um anos, o mundo da música perdeu alguém que nunca soube bem como categorizar. Era músico — guitarrista e vocalista do Big Black e do Shellac —, engenheiro de gravação — responsável pelo som de Surfer Rosa do Pixies, In Utero do Nirvana, Rid of Me de PJ Harvey — e escritor: prolífico, opiniático e constitucionalmente oposto a qualquer coisa que considerasse desonesta.
A aquisição pela Random House de uma coleção póstuma de seus textos chega, portanto, como algo há muito esperado. A prosa de Albini estava espalhada por décadas de entrevistas, fóruns, ensaios e colunas — o tipo de escrita que existe em abundância on-line e em quase total obscuridade no formato impresso.
O que tornava a escrita de Albini distinta não era seu estilo — direto ao ponto da brusquidão —, mas sua consistência intelectual. Ele manteve as mesmas posições durante trinta anos. Desconfiava de corporações, grandes gravadoras e qualquer arranjo que colocasse incentivos financeiros entre um artista e seu trabalho. Foi um dos primeiros a observar, sem nostalgia, que a internet não havia cumprido sua promessa de liberação artística.
A coleção ainda não tem título nem data de publicação. Vale acompanhar. As gravações sempre falarão. Será instrutivo ouvir, enfim, o que as palavras fazem sozinhas.