Vila-Matas ganha o Premio Zenda de Honor e a literatura fica um pouco mais estranha
Vamos fazer uma pergunta direta: quantos escritores vivos conseguiram transformar o ato de não escrever em sua obra-prima? Enrique Vila-Matas fez isso em Bartleby e Companhia. Quantos construíram um romance inteiro em torno da doença da literatura? Também Vila-Matas, em O Mal de Montano. E quantos acabaram de ganhar o Premio Zenda de Honor do ciclo 2024-2025 e merecem completamente esse reconhecimento? A lista está ficando mais curta.
Vila-Matas passou décadas construindo uma obra que não cabe nas categorias normais: não é ensaio, embora pareça; não é romance, embora seja publicado como tal; não é autobiografia, embora use seu nome. Seus livros são máquinas de leitura — artefatos que fazem você querer correr atrás de Perec, Pessoa, Melville, Robert Walser enquanto ainda os lê.
O que Vila-Matas faz é tratar a literatura como uma conversa infinita em que você pode entrar de qualquer ângulo e a qualquer momento. Suas páginas estão cheias de escritores reais e imaginados que se misturam até que a distinção deixa de importar. Em nosso catálogo você pode encontrar Dieser sinnlose Nebel, um de seus títulos disponíveis. Vila-Matas tem 76 anos e continua sendo mais curioso e disposto a arriscar do que a maioria dos escritores de 30.